PRISMA | Horizontes

Experimento · Case de produto

PRISMA | Horizontes

Uma plataforma que desenvolve habilidades cognitivas com segurança psicológica e dados reais.

Pensamento crítico, criatividade e resiliência, medidos por cenários situacionais. O dado pertence à pessoa. A organização enxerga a inteligência coletiva.

Hipótese de valor em evolução — este case documenta o processo em andamento.

O problema

Pensamento crítico, criatividade e resiliência viraram prioridade declarada nas organizações. O Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, dá a escala do desafio: 63% dos empregadores apontam a lacuna de habilidades como a principal barreira à transformação dos negócios até 2030, em pesquisa com mais de mil empresas em 55 economias.

Desenvolver essas habilidades pede duas condições que raramente aparecem juntas: dados fiéis ao comportamento real, colhidos em situações próximas das decisões do dia a dia, e um ambiente em que a pessoa se sinta segura para responder com honestidade — sabendo exatamente quem verá o quê.

Foi essa a pergunta de discovery que abriu o experimento: como medir e desenvolver habilidades cognitivas de forma fiel ao comportamento real, em um ambiente de segurança psicológica genuína?

O caminho até a primeira versão

Comecei pelo comportamento. Conversas exploratórias com profissionais de RH, T&D e pessoas em desenvolvimento me ajudaram a mapear como as organizações enxergam habilidades cognitivas hoje — e como quem responde a uma avaliação se sente diante dela.

Dessas conversas nasceram as hipóteses centrais e os trabalhos a serem feitos que orientaram a primeira versão. A espinha do processo está abaixo; cada etapa abre em detalhe.

O mecanismo do cenário situacional em quatro etapas
O mecanismo do cenário situacional: situação realista, decisão, devolutiva contextual e leitura longitudinal.
Hipóteses e trabalhos a serem feitos

Duas hipóteses estruturaram o discovery. Primeira: decisões tomadas diante de cenários realistas revelam habilidades cognitivas com mais fidelidade do que a autopercepção. Segunda: a qualidade das respostas depende diretamente da confiança de quem responde sobre o destino dos próprios dados.

Os trabalhos a serem feitos mapeados seguiram dois protagonistas. Para quem colabora: “quero entender como penso e decido, e evoluir nisso, com a certeza de que essa informação me pertence”. Para RH e lideranças: “quero enxergar as capacidades coletivas do time para tomar decisões melhores de desenvolvimento e composição”.

Primeira hipótese de solução

A primeira versão combinava cenários situacionais (SJT) com devolutivas individuais e um painel para RH. Os fundamentos vieram de literatura publicada: testes de julgamento situacional, o modelo de dupla via de processamento de Kahneman, o estilo explicativo de Seligman e a segurança psicológica de Edmondson.

A leitura longitudinal — acompanhar a evolução ao longo do tempo, em vez de fotografias isoladas — entrou desde o início como defesa estrutural: padrões consistentes ao longo de meses são difíceis de encenar.

Análise competitiva

Estudei plataformas de avaliação comportamental, ferramentas de T&D e soluções de people analytics. Na análise exploratória realizada, não encontrei solução que integrasse essas dimensões da forma proposta: medição situacional de habilidades cognitivas, arquitetura de segurança psicológica e leitura longitudinal em um mesmo produto. Esse espaço definiu o posicionamento do experimento.

A primeira versão do painel de RH mostrava percentuais por pessoa. A tela estava pronta, funcional, bonita. Ao olhar para ela, fiz a mim mesma uma pergunta:

“Se eu fosse a colaboradora representada nesta tela, eu me sentiria segura sabendo que minha liderança vê esses números?”

Versão anterior do painel: percentuais de habilidades exibidos por pessoa
Antes: o painel exibia percentuais individuais para a liderança. Clique para ampliar.
Arquitetura atual: visão individual da pessoa separada da visão coletiva da organização
Depois: duas visões separadas na arquitetura — a pessoa vê a si; a organização vê o coletivo. Clique para ampliar.

A resposta reorganizou o produto. A partir dali, a separação entre o que a pessoa vê e o que a organização vê deixou de ser uma configuração e passou a ser a própria arquitetura.

O que o PRISMA | Horizontes deliberadamente não faz

  • Rankings entre pessoas
  • Scores absolutos
  • Dossiês individuais para a liderança
  • Gamificação performativa
  • Inferência de estado emocional sem declaração explícita

O que nasceu da virada

O PRISMA | Horizontes apresenta cenários situacionais — dilemas realistas de trabalho, com múltiplos caminhos legítimos. As escolhas revelam como a pessoa pensa e decide em condições próximas do real, e a leitura longitudinal acompanha essa evolução ao longo do tempo.

Devolutiva individual no espaço pessoal da colaboradora
O espaço individual pertence à pessoa: devolutivas contextuais e evolução visível apenas para ela. Clique para ampliar.
Painel de inteligência coletiva para RH e lideranças
RH e lideranças enxergam a inteligência coletiva: capacidades agregadas do time, com anonimato preservado por construção. Clique para ampliar.
Leitura coletiva de diversidade de formas de pensar e decidir
Diversidade de formas de pensar e decidir, operacionalizada: leitura coletiva que apoia a composição de squads complementares. Clique para ampliar.
Controles de acessibilidade da plataforma
Controles de acessibilidade nativos: ética de produto aplicada à experiência de todas as pessoas. Clique para ampliar.

Princípios inegociáveis

Visões radicalmente separadas.

A pessoa vê a própria evolução em detalhe. A organização vê a inteligência coletiva em agregado. As duas visões nascem separadas na arquitetura.

Consentimento e transparência.

Cada pessoa sabe, antes de responder, exatamente o que será visto, por quem e para quê.

Leitura contextual.

Cada resultado é interpretado dentro do cenário e da trajetória de quem responde. Padrões coletivos, ao longo do tempo, orientam as decisões de desenvolvimento.

O dado pertence à pessoa.

Quem responde é titular dos próprios dados e decide sobre eles.

Diversidade de perspectivas como premissa.

Formas diferentes de pensar e decidir são tratadas como ativo do time desde o desenho dos cenários.

Navegue pelo protótipo

A versão funcional do PRISMA | Horizontes está publicada. Explore os cenários, as devolutivas e as duas visões da plataforma.

Abrir o protótipo

Limites e próximos passos

A plataforma nasceu de fundamentos publicados: testes de julgamento situacional, dupla via de processamento, estilo explicativo e segurança psicológica. A validação psicométrica dos cenários é a próxima fronteira — e pede parceria com especialistas em SJT e psicólogos organizacionais. Reconhecer esse limite faz parte do rigor que o produto promete.

Roadmap

Os próximos ciclos priorizam: validação psicométrica dos cenários com especialistas; entrevistas de follow-up com lideranças de T&D e com quem aprova orçamento, para aprofundar o entendimento desses perfis; evolução da leitura longitudinal; e um piloto com organização parceira para observar o produto em contexto real.

Design, identidade e acessibilidade

A identidade combina DM Serif Display nos títulos e DM Sans no corpo, sobre a paleta do ecossistema: azul profundo, laranja e âmbar em detalhes, base clara. A plataforma inclui controles nativos de acessibilidade — ajustes de leitura e de contraste disponíveis para todas as pessoas, desde a primeira versão.

Reflexão final

Este experimento me ensinou que a pergunta mais valiosa de um processo de produto raramente aparece no backlog. Ela apareceu quando olhei uma tela pronta pelo olhar da pessoa que seria representada nela — e sustentei a resposta até as últimas consequências. Essa pergunta mudou a arquitetura, o modelo de dados e o que o produto promete. É assim que quero construir produtos: com rigor nos dados, clareza nas garantias e pessoas como protagonistas da própria evolução.

Marcella Vasconcellos · Idealizadora do PRISMA FUTUROS